Regras que estão te impedindo de dar certo na vida
- Denise Públio
- 10 de jun. de 2025
- 4 min de leitura

Se tem uma coisa que todos nós queremos é “dar certo” na vida. Claro, esse “dar certo” não tem um único significado — cada um de nós dá um sentido diferente a essa ideia. Mas, no fundo, todos buscamos a sensação de que estamos indo bem, de que estamos no caminho certo.
Essa busca é especialmente intensa entre os 20 e 30 anos. É nessa fase que muitos se sentem pressionados a se encontrar, ter sucesso, construir algo sólido. O que muitos não percebem, porém, é que, nessa tentativa de “dar certo”, acabamos seguindo regras e crenças que nos foram passadas ao longo da vida — muitas vezes de forma sutil, quase imperceptível.
Regras como:
“Você precisa agradar todo mundo.”
“Não pode mostrar fraqueza.”
“Tem que ser perfeito.”
“Relacionamento bom é aquele que segue um script certinho.”
“Se não der 100%, você não merece reconhecimento.”
Essas regras, em vez de nos ajudarem, podem estar nos afastando de uma vida autêntica, leve e significativa.
Regras que Nos Limitam
Vamos falar um pouco sobre essas regras invisíveis que seguimos:
Perfeccionismo
A ideia de que errar é inaceitável nos paralisa. Deixa a gente com medo de tentar e bloqueia o crescimento.
Necessidade de Agradar
Quando você vive preocupado com o que os outros vão pensar, você se desconecta de si mesmo.
Roteiros Rígidos para Relacionamentos
A crença de que só existe uma forma “certa” de viver um relacionamento te impede de viver conexões verdadeiras.
Regras do Esforço Extremo
A noção de que só merece descanso ou reconhecimento quem vive exausto é perigosa e insustentável.
Invulnerabilidade
A falsa ideia de que demonstrar sentimentos ou pedir ajuda é fraqueza nos impede de criar vínculos profundos.
Você se identificou com alguma delas? A maioria de nós sim. E está tudo bem — isso não é motivo de culpa, é motivo de reflexão.
De Onde Vêm Essas Regras?
Talvez você esteja pensando: “Mas eu nem lembro quando aprendi isso…” E faz sentido. Essas crenças são aprendidas de forma indireta, muitas vezes ainda na infância.
Imagine a seguinte cena: uma criança brincando feliz na casa da avó com seu brinquedo favorito. O primo tenta pegar o brinquedo à força, e a criança corre para pedir ajuda aos pais. A resposta? “Dá o brinquedo pra ele, não seja egoísta.”
A criança, sem nem saber o que é egoísmo, entende que desejar algo para si é errado. E, assim, se cria uma crença: “A vontade do outro vale mais que a minha.” É um registro emocional poderoso, que vai influenciar a forma como ela se relaciona com os próprios desejos no futuro.
Situações como essa moldam silenciosamente nossa visão de mundo.
O Problema da Rigidez
Essas regras não são um problema por existirem — afinal, elas surgiram para nos proteger ou nos ajudar a lidar com o mundo. O problema aparece quando elas se tornam rígidas.
O que funcionou quando você tinha 10, 15 ou 20 anos pode não fazer mais sentido hoje. Mas, por medo, conforto ou automatismo, seguimos aplicando as mesmas fórmulas esperando resultados diferentes.
E aí vem a frustração. A sensação de estagnação. O sentimento de estar sempre correndo atrás de algo que nunca chega.
A Ilusão das Fórmulas Mágicas
Não é à toa que livros e conteúdos de autoajuda que prometem “10 passos para a felicidade” ou “3 segredos para o sucesso” fazem tanto sucesso. Todos nós buscamos certezas, atalhos, regras infalíveis.
Mas viver não é seguir receita de bolo. A vida real exige flexibilidade, experimentação e, principalmente, autoconhecimento.
Um Exemplo Real
Conheci uma mulher talentosa que trabalhava com artes como autônoma. Apesar de ter liberdade de horários, ela vivia cansada e estressada. Durante a semana, forçava uma rotina como se ainda trabalhasse em regime CLT: acordava às 6h, enchia o dia de tarefas, cobrava produtividade excessiva.
Na prática, ela seguia uma regra que já não fazia mais sentido. Quando perguntei: “Mas por que você precisa acordar às 6h?”, ela respondeu: “Porque é o que eu devo fazer, né?” E eu disse: “Será? E se você experimentasse uma nova rotina, mais alinhada com quem você é hoje?”
A verdade é que o mundo mudou — e nós também. Seguir regras antigas em contextos novos pode ser mais limitador do que útil.
E Você, Como Está?
Pense um pouco: como anda a sua vida? Como estão seus relacionamentos, sua carreira, sua saúde mental? Você se sente leve e realizado ou mais preso do que livre?
Se a resposta for mais para o segundo lado, talvez seja hora de revisar as regras que você tem seguido. E não se preocupe, não vamos criar novas regras aqui. São sugestões para você refletir e, quem sabe, experimentar:
1.Observe-se
Reserve um tempo para perceber o que na sua rotina funciona e o que está te sufocando. Muitas vezes, só essa consciência já é um passo enorme.
2.Reveja seus valores
O que realmente importa para você? O que te guia? Diferencie o que é valor seu e o que é expectativa social.
3.Experimente
Teste novos caminhos. Dê permissão para errar, ajustar, mudar. A flexibilidade é uma ferramenta de evolução, não de fraqueza.
Não dá para viver uma vida significativa sendo controlado por regras que já não fazem sentido. Viver com base em valores, e não em expectativas rígidas, pode ser desafiador — mas também é profundamente libertador.
Se esse texto te fez refletir, compartilha com alguém que também precisa ler isso. E me conta nos comentários: qual regra você tem seguido que mais te limita? Vou adorar saber e continuar essa conversa com você.
E se você está buscando um espaço de terapia para trabalhar essas questões, volte para a página principal e conheça nossos projetos de acesso à saúde mental.
Até a próxima!



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